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Enquanto as mãos criam, a cabeça esfria. Esta fala é unanimidade entre as alunas do curso de crochê oferecido pela Prefeitura de Porciúncula através da Secretaria Municipal de Promoção Social. O Centro de Aprendizagem recebe, todos os dias, cerca de dezesseis mulheres porciunculenses cadastradas no CRAS para aprenderem um ofício de geração de renda. Mas o que acontece ali é muito mais que trabalho e renda.

Os encontros são sagrados e geram benefícios muito maiores em vidas sofridas e assoberbadas. Enquanto tranformam a malha, retalhos das confecções locais, costuram histórias e encontram alento uma com a outra. “Quando a gente entra aqui, esquece do mundo lá fora. Aqui é terapia, é amizade, é troca de ideias e de experiências, além de ser lugar de aprendizado para aumentar a nossa renda”, detalha Maria Helena Santos de Sá.

Outra aluna fala dos benefícios do curso. “Aprendi a me desligar dos problemas. Tinha TOC, ansiedade, irritação, tomava remédio. Por indicação do meu filho, que queria dar uma colorida na minha vida, conheci o curso. Comecei devagarinho, meio distante de todos. Depois de dois meses, comecei a enxergar a vida e as coisas de outro jeito. Hoje não tomo mais remédio, e tudo o que aprendo aqui me serve pra ter uma vida melhor. Aqui aprendi a amar, a ter amizades e a fazer coisas lindas”, conta, sem querer se identificar.

Diante de tudo, a instrutora se emociona. “Cada uma tem uma história de vida e de lutas. Além de estar reciclando, a cumplicidade mostra que, quando nos unimos, percebemos que somos iguais, todos temos os mesmos problemas, e isso dá um alento. É um trabalho que vai muito além da geração de renda”.

Enquanto as mãos trabalham, a mente se distrai e lindas tramas são produzidas.

A vida continua lá fora, mas o espaço e o tempo ali são sagrados para essas mulheres que tecem histórias, trocam receitas, retalham problemas e constroem uma vida melhor e mais cheia de cores.

Os trabalhos serão expostos e estarão à venda na Feira de Economia Solidária, que vai acontecer de 12 a 16 de dezembro, na Praça Antônio Amado, em Porciúncula.

 

Rosimere Ferreira

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