A Forca – Prevenção

A Forca

A FORCA

 

A forca, instrumento arcaico de punição, brincadeira infantil já esquecida e agora uma coluna semanal despretensiosa, cuja única intenção é entreter, sem a pretensão de mudar convicções ou quebrar paradigmas, vem para ter as características de todos os significados de seu conceito, ser leve como a brincadeira e séria como o instrumento medieval quando necessário, mas sem o intuito de fomentar discórdia e polarizar opiniões. Venha ver qual tema ou palavra será o próximo enforcado e boa leitura.

PREVENÇÃO

Prevenção vem do Latim PRAEVENIRE, “antecipar, perceber previamente”, literalmente “chegar antes”, de PRAE-, “antes”, mais VENIRE, “vir”.

Ação ou efeito de prevenir, agir por antecipação. Conjunto de atividades e medidas que, feitas com antecipação, busca evitar um dano ou mal: prevenção desastres, prevenção de incêndios, prevenção de doenças.

Desde a colonização aparentemente não apreendemos nada sobre prevenção. E não é falta de Leis, nosso aparato legal é um dos mais evoluídos do mundo, sim isso é verdade, nossas leis são muito dinâmicas e atuais, nos falta é comprometimento com elas, isso comprometimento e não envolvimento.

Passamos por diversas tragédias todas por falta de prevenção ou por adoção de medidas simples, já previstas em lei.

2000, Baía de Guanabara – Um vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo in natura da Petrobras atingiu a Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro (RJ). Um acidente com um navio petroleiro resultou no vazamento, que matou a fauna local e poluiu também o solo em vários municípios, como Magé.

2003, Cataguases – O rompimento de barragem na região de Cataguases (MG), despejou 520 mil metros cúbicos de rejeitos compostos por resíduos orgânicos e soda cáustica. Os esíduos atingiram os rios Pomba e Paraíba do Sul, originando prejuízos ao ecossistema e à população ribeirinha.

2007, Miraí – Um rompimento de barragem de mineração na região de Miraí (MG) vazou 2.280.000 metros cúbicos de água e argila.

2011, Bacia de Campos – Um vazamento de grande quantidade de óleo da Chevron na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, criou uma mancha de 162 km², o equivalente à metade da Baía de Guanabara

2015, Mariana – Uma barragem de rejeitos da companhia Samarco, no interior de Minas Gerais, se rompeu. Os resíduos avançaram sobre Mariana e cidades vizinhas, matando 19 pessoas e contaminando a bacia do Rio Doce, que abastece mais de 230 municípios no estado e em Espírito Santo.

E agora a mais recente tragédia, 2019, que foi o rompimento de uma barragem da Vale em Brumadinho (MG) na sexta-feira (25), o que causou a destruição da área administrativa da empresa, casas e propriedades da região. O deslizamento de lama também deixou mortos e desaparecidos, além de pessoas que tiveram que deixar suas casas.

Existe todo um aparato legal que se seguido poderia ter evitado todas essas tragédias, as legislações estão aí, Decreto 4.074/2002, Lei 6.938/1981, Lei 11.445/2007, Lei 12.305/2010, sem contar as inúmeras Normas de Segurança e outras leis que tratam indiretamente sobre o assunto.

Como podemos perceber, o Brasil é um país de memória recente, parece que sofre de Alzheimer às avessas, só tem memória do hoje, juntamente com nosso “jeitinho” também temos uma tradição arraigada em nossa alma, somos avessos à fiscalização e adeptos da proibição, uma expressão popular antiga ilustra bem o que quero dizer, “Ou calça de veludo ou bunda de fora”, é sintomático no Brasil, ou liberamos ou proibimos, nunca exercemos a contento nosso poder de fiscalização, que tem relação direta com a PREVENÇÃO se não exercemos nosso poder de polícia com a fiscalização, não há que se falar remotamente em PREVENÇÃO.

Um excelente exemplo disso e a tragédia da BOATE KISS – 2013 – Santa Maria/RS, um enorme incêndio ocasionado por um show pirotécnico em um local fechado –que causou a morte por asfixia de centenas de jovens. Havia apenas uma saída e A CASA ESTAVA SEM ALVARÁ DE FUNCIONAMENTO.

Ou seja, se tivesse existido a fiscalização do regular exercício das leis, poderíamos ter atuado PREVENINDO todas as tragédias citadas acima, ou no mínimo, elas teriam sido menos catastróficas, com menos almas humanas dilaceradas.

O Brasil não avança em PREVENÇÃO porque insiste em não fiscalizar, sejam barragens, produtos alimentícios, ou qualquer coisa, não temos a mínima cultura de PREVENÇÃO, seja setor público ou privado, o brasileiro não acredita em prevenção, prefere lidar com o problema quando ele acontece, somos necessariamente IMEDIATISTAS, e quando acontece o problema nossa primeira medida é proibir, para não termos que fiscalizar. E pior, comemoramos quando medidas preventivas que nos foram impostas porque não fiscalizamos nada, cessam. Quer um exemplo? Quando você verificou a validade do extintor de incêndio do seu carro quando essa obrigatoriedade cessou? Comemora o fato de ter cessado o “aborrecimento” da vistoria anual veicular no Estado do Rio? Com essa medida, vai todo ano atuar PREVENTIVAMENTE verificando espontaneamente os pneus e todos os itens de segurança do seu veículo? Certamente não, já que muita gente tem a mentalidade de pegar pneu emprestado para passar na vistoria anual quando ela era obrigatória, agora então…

PREVENÇÃO salva vidas, evita desastres e aborrecimentos desnecessários, e a sabedoria popular nos ensina, “É MELHOR PREVENIR DO QUE REMEDIAR”.

Que mais essa tragédia que infelizmente nos aflige, que mais essas vidas despedaçadas, possam enfim nos ensinar que a PREVENÇÃO é e sempre será o melhor caminho.

Porque sem PREVENÇÃO não adianta depois buscar de quem é a culpa, como agora em Brumadinho, Minas Gerais, só nos resta ajudar no que for possível e rezar para aqueles que estão sofrendo.

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, Pai das misericórdias e Deus de toda consolação, que nos consola em todas as nossas tribulações, para que, com a consolação que recebemos de Deus, possamos consolar os que estão passando por tribulações. Pois assim como os sofrimentos de Cristo transbordam sobre nós, também por meio de Cristo transborda a nossa consolação. Se somos atribulados, é para consolação e salvação de vocês; se somos consolados, é para consolação de vocês, a qual dá paciência para suportarem os mesmos sofrimentos que nós estamos padecendo. E a nossa esperança em relação a vocês está firme, porque sabemos que, da mesma forma que vocês participam dos nossos sofrimentos, participam também da nossa consolação.

2 Coríntios 1:3-7

Que todos tenhamos uma ótima semana, de oração e fé, por todos aqueles que estão sofrendo e por um Brasil melhor.

         Adriano Monteiro

          

 

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